Operação Compliance Zero: Entenda as oito fases da investigação, que atinge Claudio Castro, ex-governador do RJ

Cláudio Castro é alvo de buscas da PF em operação contra aportes no Banco Master pelo Rioprevidência O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), é alvo da 8ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), nesta terça-feira (26), que investiga crimes financeiros envolvendo o Banco Master. A PF apura aportes de R$ 3 bilhões de recursos públicos do Rio de Janeiro para o conglomerado do banqueiro Daniel Vorcaro, em diferentes ocasiões. O dinheiro, segundo a investigação, partiu do Rioprevidência, fundo que gere os benefícios de 235 mil aposentados e pensionistas do estado. A Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça ligado ao Banco Master. Desde novembro de 2025, a investigação avançou sobre diferentes núcleos da organização, atingindo executivos do banco, familiares de Daniel Vorcaro, políticos, policiais e até integrantes da Polícia Federal. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Entenda cada uma das fases da Operação Compliance Zero: 1ª fase: prisão de Daniel Vorcaro e suspeita de fraude bilionária2ª fase: familiares de Vorcaro e bloqueio de R$ 5,7 bilhões3ª fase: prisão de “Sicário” e expansão para ameaças e espionagem4ª fase: suspeitas sobre aportes bilionários do BRB5ª fase: núcleo político e investigação sobre Ciro Nogueira6ª fase: prisão do pai de Vorcaro e de policial federal7ª fase: investigação sobre vazamentos dentro da PF8ª fase: Cláudio Castro e recursos do Rioprevidência 1 de 5 Cláudio Castro em cobertura na Barra da Tijuca. Ex-governador é alvo de buscas da Polícia Federal — Foto: Charles Júnior/ TV Globo 1ª fase: prisão de Daniel Vorcaro e suspeita de fraude bilionária Deflagrada em novembro de 2025, a primeira etapa da operação teve como foco um suposto esquema de emissão irregular de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) — produtos financeiros em que o cliente empresta dinheiro ao banco em troca de rendimentos futuros. Segundo a Polícia Federal, o Banco Master prometia juros até 40% acima da média do mercado, levantando suspeitas de que parte desses títulos não tinha cobertura real em ativos. O principal alvo da fase foi o banqueiro Daniel Vorcaro, presidente da instituiçãom, que foi preso pela PF no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, enquanto tentava embarcar para Dubai em um jato particular. Segundo ele, a viagem era para fechar a venda do banco. Ao todo, sete pessoas foram presas. Diretores do Banco de Brasília (BRB) também foram afastados por suspeitas de participação em operações fraudulentas e gestão temerária — quando administradores assumem riscos considerados excessivos pelo mercado e por órgãos de controle. As autoridades estimaram um prejuízo potencial de até R$ 12 bilhões, incluindo investidores pessoas físicas atraídos pelas altas taxas prometidas pelo banco. Após 12 dias preso, Vorcaro foi solto por decisão da Justiça, mas passou a usar tornozeleira eletrônica e cumprir medidas cautelares. Deflagrada em janeiro de 2026, a segunda fase concentrou esforços no rastreamento do patrimônio da família de Daniel Vorcaro. A Polícia Federal cumpriu mandados contra o pai, a irmã e o cunhado do banqueiro, além de outros investidores ligados ao grupo. Por determinação do ministro Dias Toffoli, do STF, foram autorizadas 42 buscas e apreensões em diferentes estados. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e valores. LEIA MAIS: Caso Master: PF bloqueou R$ 5,7 bilhões e apreendeu R$ 97 mil em espécie em operação; veja imagens Durante as ações, os agentes apreenderam relógios de luxo, carros importados e dinheiro em espécie. Segundo os investigadores, fundos de investimento teriam sido usados para ocultar recursos desviados do banco e formalizar patrimônio supostamente ilícito da família Vorcaro. O empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur também foram alvo de buscas e tiveram celulares apreendidos. 3ª fase: prisão de 'Sicário' e expansão para ameaças e espionagem Deflagrada em março de 2026, a terceira etapa da Compliance Zero ampliou o foco da investigação para crimes de intimidação, espionagem e invasão de sistemas. Daniel Vorcaro voltou a ser preso. Também foram detidos o cunhado dele, Fabiano Campos Zettel, e Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”. LEIA MAIS: PF cumpre 7 mandados da operação que mira o banqueiro Vorcaro em MG e prende dois em BH Segundo a PF, Sicário coordenava grupos usados para obter informações ilegalmente, intimidar adversários e monitorar autoridades consideradas ameaça aos interesses do banco. Luiz Phillipi Mourão morreu horas após ser preso e, por isso, não chegou a responder ao processo. A Polícia Federal concluiu que foi suicídio. 4ª fase: suspeitas sobre aportes bilionários do BRB Deflagrada em abril de 2026, a quarta fase avançou sobre transações envolvendo o Banco de Brasília (BRB). O principal investigado da etapa foi Paulo Henrique Costa, então presidente afastado do banco público. As movimentações ocorreram no período em que o BRB negociava assumir o controle do Banco Master, o que levantou suspeitas de uso de recursos públicos para socorrer financeiramente a instituição privada. Paulo Henrique Costa afirmou que as operações eram regulares e faziam parte de práticas tradicionais do mercado financeiro. A PF, no entanto, sustenta que as garantias oferecidas não correspondiam ao valor declarado dos ativos. 5ª fase: núcleo político e investigação sobre Ciro Nogueira Deflagrada em 7 de maio de 2026, a quinta fase atingiu o núcleo político do suposto esquema. O principal alvo foi o senador Ciro Nogueira, presidente do PP. A PF cumpriu mandados em endereços ligados ao parlamentar em Brasília e no Piauí, sob suspeita de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. De acordo com os investigadores, o senador teria recebido pagamentos mensais custeados por Daniel Vorcaro ou por empresas a ele vinculadas, com valores entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. LEIA MAIS: Caso Master: PF mira Ciro Nogueira e primo de Vorcaro em nova fase da Operação Compliance Zero Também nesta fase, Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, foi preso em Minas Gerais. Ele é apontado como operador financeiro dos repasses investigados. A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 18,85 milhões e a suspensão das atividades de quatro empresas ligadas ao esquema. Polícia Federal prende pai de Daniel Vorcaro Deflagrada em 14 de maio de 2026, a sexta fase teve como foco o suposto uso da máquina pública para obtenção ilegal de informações. Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, foi preso sob suspeita de coordenar ações de intimidação realizadas pelos grupos “A Turma” e “Os Meninos”. A operação também prendeu o policial federal Anderson Wander da Silva Lima. 4 de 5 Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro — Foto: Reprodução Segundo os investigadores, o agente acessava bancos de dados sigilosos e repassava informações sobre passaportes, viagens internacionais e movimentações migratórias de pessoas monitoradas pela organização criminosa. A PF afirma que os dados eram usados para perseguir adversários e proteger interesses financeiros do grupo. 7ª fase: investigação sobre vazamentos dentro da PF Deflagrada em 19 de maio de 2026, a sétima fase mirou um perito criminal federal suspeito de vazar informações sigilosas da investigação. O servidor foi alvo de mandados de busca e apreensão e teve suas funções suspensas por decisão do STF. Segundo a Polícia Federal, o perito teria compartilhado informações reservadas obtidas a partir da análise de materiais apreendidos nas etapas anteriores da Compliance Zero. As apurações buscam esclarecer se os vazamentos comprometeram a coleta de provas e a identificação de outros integrantes da organização. A fase também evidenciou a preocupação das autoridades com a preservação do sigilo da operação. 5 de 5 Claudio Castro (PL) — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil Deflagrada em 26 de maio de 2026, a oitava fase teve como alvo o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. A investigação apura a transferência de cerca de R$ 3 bilhões de recursos estaduais para fundos ligados ao Banco Master. Segundo a PF, os aportes ocorreram principalmente por meio do Rioprevidência, fundo responsável pela administração das aposentadorias e pensões dos servidores estaduais do Rio de Janeiro. Nesta etapa, agentes cumpriram dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, por determinação do ministro André Mendonça, do STF. A fase é tratada como desdobramento da Operação Barco de Papel, que investigava investimentos considerados arriscados e incompatíveis com critérios de segurança financeira para fundos públicos.
26/05/2026 (00:00)
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