Novo segue sem reconhecer resultado das eleições; 27 partidos validam vitória de Lula

Logo após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proclamar Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencedor da disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL), por uma diferença de 4,4 milhões de votos, o presidente do partido Novo, Eduardo Ribeiro, não reconheceu o resultado das urnas e afirmou que "o Brasil não vive uma democracia". Ao todos, vinte e sete partidos políticos pulgaram manifestações em que reconhecem a vitória do presidente Lula nas eleições deste ano. Até a última atualização desta reportagem, apenas uma legenda não havia se manifestado sobre o resultado das eleições: Mobiliza. Em uma publicação nas redes sociais, Ribeiro questionou o resultado alegando uso da máquina pública e do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma referência a decisão do ministro Cristiano Zanin, que prorrogou o período de votação até às 19h, pedido que havia sido feito também pelo PL. “O resultado da eleição é a prova de que o Brasil não é uma democracia. Como se não bastasse fazer uma campanha cheia de mentiras, o PT usou como nunca a máquina pública e o STF pra se manter no poder. Temos três ações pedindo a cassação da chapa de Lula. Cabe agora à Justiça cumprir seu papel, se ainda existe Justiça nesse país”, afirmou o presidente do partido. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) atestou a regularidade do processo eleitoral e reconheceu a vitória do presidente Lula ainda no domingo (25), após a totalização dos votos. Após o resultado, Flávio disse não reconhecer a vitória de Lula e afirmou que iria pedir a anulação da votação. Após perder as eleições, Flávio fugiu do Brasil em direção aos Estados Unidos. Após desembarcar no país norte-americano, o senador pulgou uma carta com teor golpista, na qual afirmou não reconhecer o resultado das urnas no segundo turno da eleição presidencial, acusou suposta fraude eleitoral e afirmou ser o "verdadeiro presidente do Brasil", o "presidente eleito". Entre as siglas que reconheceram a vitória estão o PL — partido do candidato derrotado Flávio Bolsonaro —, União Brasil, MDB, PSD, Republicanos, PSDB, PDT, PSB, PSOL, Podemos, Avante, Democrata, Democracia Cristã (DC), UP e PSTU. 1 de 2 27 partidos reconheceram vitória de Lula nas urnas — Foto: Reprodução/Jornal Nacional Ao g1, Ribeiro afirmou que o partido continuará sem reconhecer o resultado das eleições presidenciais por uma questão de coerência. Questionado se o partido mudará o posicionamento caso seja derrotado na Justiça, Ribeiro afirmou que o partido irá avaliar “a decisão e os argumentos”. O partido também não se manifestou sobre a carta escrita por Flávio Bolsonaro após fugir do país para os Estados Unidos em que o candidato derrotado, em tom golpista, se autoproclamou presidente eleito do país, voltando atrás minutos depois e trocando a expressão por “líder do Brasil”. Apesar de não ter se posicionado, Ribeiro diz que o partido deixou os quadros “livres para cada um se posicionar” e afirmou que, apesar de não reconhecer, o Novo não questiona a lisura das urnas e do pleito. “Em nenhum momento a gente questionou as urnas. Nós estamos questionando os meios ilegais, no nosso entendimento, que o Lula usou. Por ser um incumbente, por estar na administração pública, por ter a caneta na mão, que fizeram com que a eleição não fosse justa”, pontuou. Segundo o g1 apurou, a postura é parte de uma estratégia do partido que está apostando em “um racha” da direita, principalmente no PL, entre abraçar ou não o discurso golpista de Flávio Bolsonaro de não reconhecer o resultado das eleições presidenciais. Questionado, Ribeiro disse que não há uma estratégia, que o partido não irá entrar em eventuais disputas dentro da direita, mas que está “de portas abertas” para receber quadros da direita que se identifiquem com a legenda. “O Novo vai estar de portas abertas a todos aqueles que consideram o Novo como um partido de direita, liberal, conservador, que tem princípios, que tem pessoas decentes. O Novo vai estar sempre de portas aberta, mas nós não temos interesse em entrar em rusgas da direita nesse momento”, afirmou. 2 de 2 Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante ato de campanha em São Paulo — Foto: Ricardo Stuckert Após a revelação dos áudios em que Flávio Bolsonaro pede e cobra dinheiro de Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, para bancar o filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, Zema foi um dos primeiros políticos a criticar a relação entre o senador e o banqueiro. “Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa”, declarou à época. As declarações não caíram bem dentro do partido e Zema foi cobrado por correligionários a baixar o tom contra Flávio para não atrapalhar palanques locais, como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Zema então passou a falar em união da direita “para derrotar o PT”, mas acabou abandonado por quadros do partido ainda no primeiro turno. Um deles foi Marcel Van Hattem, deputado que acabou eleito senador pelo Rio Grande do Sul. A três dias do primeiro turno, o parlamentar declarou em live realizada com Flávio Bolsonaro que “no domingo votaria 22”. 🔎 Também chamada de cláusula de desempenho, a regra estabelece que os partidos precisam atingir um percentual mínimo de votos válidos para a Câmara dos Deputados ou um número mínimo de deputados eleitos para ter acesso a recursos do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda na televisão e no rádio. Romeu Zema acabou na sexta colocação com apenas 326.488 votos, 0,27% dos votos válidos. A performance foi pior que a de Felipe D’Avila, candidato do partido em 2022, que foi votado por 559.708 eleitores, 0,47% do total.
31/10/2026 (00:00)
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