Crise no STF vira tema da campanha presidencial: veja o que disseram os candidatos

1 de 2 Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema — Foto: Globo Os novos desdobramentos do caso Master e a crise no Supremo Tribunal Federal ( STF) passaram a ocupar o discurso dos candidatos à Presidência nos últimos dias. Em meio às revelações envolvendo integrantes da Corte, os presidenciáveis apresentaram diferentes respostas para o episódio, que vão da saída de Moraes do tribunal à discussão de uma nova Constituição. Lula tem defendido que eventuais irregularidades reveladas pelo caso Master sejam investigadas, mas dentro das regras institucionais e sem transformar suspeitas em condenações antecipadas. Nesta sexta-feira (4), o presidente afirmou que a lei deve valer para todos, voltou a defender uma reforma do Judiciário e afirmou que pretende discutir mudanças na estrutura da Justiça brasileira ao longo do próximo ano, caso seja reeleito. Augusto Cury (Avante) afirmou que ninguém deve ser poupado de eventuais investigações e defendeu reforma no STF. Renan Santos (Missão) afirmou que, se eleito, atuará para afastar Moraes e Dias Toffoli e defendeu que o país discuta uma nova Constituição. Romeu Zema (Novo) passou a defender a prisão de Moraes. Ronaldo Caiado (PSD) defendeu a quebra do sigilo de relatório da PF feita por Mendonça, pediu a renúncia do ministro e propôs mudanças nas regras do Judiciário. 2 de 2 Mendonça e Moraes — Foto: LUIZ SILVEIRA/STF Lula defende investigação e reforma Na quinta-feira (3), Lula afirmou que o país "não pode ficar refém de vazamentos seletivos" e que defende a adoção de um código de ética para o Judiciário. "O escândalo do Banco Master é o maior roubo da história do Brasil. Roubaram milhões de pessoas de muitos estados e municípios. O banqueiro, líder do esquema, tem relações com muita gente poderosa. E foi no meu governo que ele foi preso e seu banco fechado. Há suspeita de políticos e agentes públicos envolvidos. Nossa democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos", disse o presidente e candidato à reeleição. Lula disse ainda que é "fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer. Foi a primeira vez que o presidente comenta a crise no Supremo. Nesta sexta, ao discursar durante cerimônia no Palácio do Planalto, Lula defendeu uma reforma do judiciário e afirmou que pretende discutir mudanças na estrutura da Justiça brasileira ao longo do próximo ano, se for reeleito. "Eu sinceramente tenho o prazer e o orgulho de ter sido o presidente da República da primeira reforma do Judiciário, com Márcio Thomaz Bastos na Justiça e o nosso querido Nelson Jobim na presidência da Suprema Corte. E tenho certeza de que faremos no próximo ano uma discussão profunda sobre a necessidade de uma nova reforma do Poder Judiciário brasileiro", declarou. Lula também afirmou que a lei deve valer para todos. "Ninguém, ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal. Ninguém. Isso vale para o presidente da República, vale para um catador de material reciclável. Vale para uma parteira e vale para uma médica. Todo mundo tem que estar subordinado aos mesmos trâmites da legislação. Afinal de contas, ela vale para todos", disse. Agora no g1 Flávio Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que viu uma “luz no fim do túnel” nas declarações do presidente do STF, Edson Fachin, que defendeu o fim do Inquérito das Fake News e a adoção de um código de ética para ministros da Corte. Durante agenda em São Carlos, no interior de São Paulo, Flávio disse defender o Supremo como instituição, mas voltou a criticar Alexandre de Moraes. "A minha defesa vai ser sempre intransigente, a defesa do Supremo Tribunal Federal, a defesa institucional. As pessoas passam, as instituições ficam. Então, é inadmissível chegarmos ao ponto de fazer o que o Alexandre de Moraes está fazendo. Então, ele não tem a menor condição de continuar como ministro do Supremo Tribunal Federal. Nós esperamos aí que o próprio pleno do STF autorize que ele seja investigado no momento", disse Flávio. O candidato afirmou que Moraes não tem condições de permanecer no tribunal e defendeu que ele seja formalmente investigado. "Ele não tem a menor condição de continuar como ministro do Supremo Tribunal Federal. Nós esperamos que o próprio pleno do STF autorize que ele seja investigado formalmente", afirmou. O senador também criticou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a quem acusou de tentar proteger Moraes. So o candidato, Alcolumbre deveria atuar para preservar as instituições, e não ministros inpidualmente. Augusto Cury evitou direcionar suas críticas a um ministro específico e afirmou que todas as autoridades envolvidas em suspeitas devem ser investigadas. O candidato também disse que a crise tem contribuído para a perda de confiança da população nas instituições. "Toda pessoa que tem um cargo público é um empregado do contribuinte e da sociedade e tem que provar ser inocente. E, se não provar, tem que ser culpado e levado às barras da Justiça até as últimas consequências. Ninguém deve ser isento, ninguém deve ser poupado", afirmou durante agenda em Ribeirão Preto (SP). Cury acrescentou que considera “dramaticamente triste” o momento vivido pelas instituições. "É muito triste o que está ocorrendo, é dramaticamente triste. As pessoas não estão confiando mais nas instituições", disse. O candidato também voltou a comentar o assunto nesta sexta em suas redes sociais. “Se envolve ministro, político ou qualquer autoridade da República, a regra tem que ser a mesma. Quem ocupa um cargo público não é dono do poder. É funcionário da sociedade”, escreveu. Cury também afirmou que “não existe pacificação sem justiça” e questionou: “Você tem corrupto de estimação?”. O candidato também defendeu uma reforma no Supremo. "Tem que haver uma reforma no STF. E quem cometeu crime, tem que ser investigado. Porque todo funcionário público tem um patrão. Quem é esse patrão? É o pagador de impostos, é o povo. O povo exige justiça. Se não deve se defende, aí tá livre. Se deve, tem que ser condenado." Renan Santos também criticou o Supremo. Em sabatina à CNN, na quinta-feira (2), o candidato do Missão defendeu que o país comece a discutir uma nova Constituição como resposta à crise institucional. "O Brasil precisa começar a discutir, não necessariamente executar, mas precisamos discutir já, uma nova Constituição. Porque, da maneira como está, a institucionalidade brasileira acabou. O pacto de 1988, do nosso livrinho, da nossa Constituição, acabou", afirmou. Nesta sexta-feira, Renan voltou a defender a mudança. "Mostra o quanto o inquérito é casuístico e quanto a nossa República, com a separação dos poderes, ela se diluiu. O Brasil vai precisar de uma nova Constituição em algum momento e o Brasil precisa de pessoas sem envolvimento com escândalo de corrupção pra poder guiar ele novamente. A questão toda é se a população vai despertar", disse. Ele também afirmou que, caso seja eleito presidente, pretende atuar pelo afastamento de Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. "Eu serei presidente da República e uma das primeiras coisas que eu vou fazer será afastar Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, liderando o Senado e a população brasileira num enfrentamento sério à corrupção, como eu sempre fiz na minha vida", disse em publicação nas redes sociais. Romeu Zema adotou uma das posições mais duras entre os candidatos. Em sabatina ao jornal “O Estado de S. Paulo”, o ex-governador de Minas Gerais afirmou que os fatos envolvendo Moraes seriam motivo para prisão, e não apenas para um eventual processo de impeachment. "É motivo de prisão, não é motivo só de impeachment, não. Um contrato de R$ 129 milhões. Esse Brasil não vai para a frente. Por isso, quem está lá em Brasília não está preocupado em administrar esse país. Está preocupado, sim, em se proteger para continuar roubando como tem roubado. Se o Nikolas [Ferreira] fez algo errado, que pague. Se o Flávio [Bolsonaro] fez algo errado, que pague também. Lei existe para quê?", questionou. Nesta sexta-feira, Zema voltou ao assunto nas redes sociais e reforçou o pedido de prisão de Moraes. “Compartilhe se quer Moraes na cadeia”, escreveu em um vídeo que compartilho em que aparece o presidente do STF, Edson Fachin. Na gravação, Fachin afirma que "nenhuma autoridade está acima da constituição". O candidato também retomou o discurso contra os chamados “intocáveis”, expressão que tem usado para criticar autoridades que, na avaliação dele, não seriam responsabilizadas por seus atos. “Chega de intocáveis”, publicou. Ronaldo Caiado defendeu a renúncia de Alexandre de Moraes sob o argumento de que a permanência do ministro no cargo pode ampliar reações contra o Supremo e colocar em risco a ordem democrática. O candidato também afirmou que a Corte vive uma “desordem institucional” e defendeu uma reforma no Judiciário. Entre as mudanças propostas está o estabelecimento de uma idade mínima para ministros do Supremo. Caiado também voltou a pedir a quebra dos sigilos das investigações dos casos Master, Dark Horse e INSS. "Em relação a essa desordem institucional, isso nunca foi uma rotina no Supremo [Tribunal Federal]. Eu me lembro bem de, como deputado federal, conviver com o Supremo, onde as pessoas ali guardavam 100% a liturgia do cargo, o decoro do cargo, a formalidade das audiências. Então, é este o Supremo que a sociedade brasileira quer", disse em entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo". Nesta sexta, voltou a falar sobre o tema e defendeu a quebra de sigilos na investigação sobre o Caso Master. "Você não pode praticar um golpe à democracia brasileira deixando o povo saber depois da eleição de quatro de outubro quais são os nomes que estão envolvidos nessas atuais denúncias que lá estão. Então eu quero parabenizar a iniciativa do ministro André Mendonça em ter colocado isso à tona para que as pessoas saibam quem é que é merecedor do voto agora no dia quatro de outubro", disse.
04/09/2026 (00:00)
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